É fundamental para a identidade de uma pessoa todo o conjunto de informações e experiências que são armazenadas em sua mente ao longo da vida. A memória ajuda na definição de quem somos e, cada vez mais, cientistas buscam desvendar os mecanismos biológicos que nos permitem guardar lembranças e também esquecê-las.
Tendo em vista a importância da memória para a vida social, profissional, na gestão do conhecimento e na interação com o mundo de forma geral, é preciso ficar atento com o desempenho da “caixinha de lembranças” e também entender como funcionam seus mecanismos.
A reportagem especial da Revista Veja, de 13 de janeiro de 2010, apresentou mitos e verdades referentes à memória, que valem a pena saber, ou melhor, lembrar!
Mitos:
1- Lembranças esquecidas da primeiríssima infância podem ser recuperadas. Memórias de longo prazo sobre episódios específicos só começam a ser formadas a partir dos três ou quatro anos de idade. O hipocampo, que processa essas memórias ainda é pouco desenvolvido antes dessa idade.
2- Uma bebedeira mata milhares de neurônios. A perda temporária de memória durante um porre ocorre porque o álcool prejudica as sinapses, e não pela morte das células.
3- As células do cérebro não se regeneram. O cérebro de um adulto forma, sim, novos neurônios, ainda que em pequena quantidade. Este processo é mais comum no hipocampo, responsável pelas memórias de longo prazo.
4- Falhas de memória em idosos são sinais de Alzheimer. É natural que a eficiência da memória diminua com o tempo. A doença de Alzheimer é mais grave porque leva à degeneração do cérebro e torna a pessoa incapaz de realizar tarefas diárias simples.
5- Vídeo game prejudica a memória. Os jogos eletrônicos podem ser benéficos para aumentar a capacidade de atenção, fundamental para a memória.
6- Uma vez guardada, uma lembrança nunca muda. As memórias não são guardadas de forma contínua, como se fosse um filme, mas com fragmentos de informações – que podem ser modificados por novas experiências.
7- Ginkgo bilobaprevine a perda de memória. Não há comprovação científica dos efeitos do ginkgo biloba sobre a memória.
Verdades:
1 – O estudo intercalado por períodos de descanso ajuda a memorização. Para memorizar um dado ou fato, procure voltar a ele repetidas vezes, a intervalos crescentes – após um dia, após uma semana, após um mês e após alguns meses.
2 – As lembranças são mais facilmente recuperadas por associação. Campeões de memorização associam as informações a palavras-chave ou a imagens conhecidas. Por exemplo, para se lembrar do nome Julieta, pode-se associá-lo à personagem de Shakespeare.
3 – Exercício físico é bom para a memória. O volume de massa cinzenta em regiões do cérebro relacionadas à memória aumenta com exercícios aeróbicos.
4 – Excesso de informação prejudica a memorização. Internet, celular, televisão... O cérebro não tem tempo para processar a avalanche de informações da vida moderna. Sem atenção necessária, não há a formação de novas memórias.
5 – Quem dorme bem lembra mais. O sono - e o sonhos – tem um papel relevante na consolidação de memórias de longo prazo.
6 – A obesidade prejudica a memória. A gordura abdominal eleva os índices de insulina no organismo, afetando o funcionamento de determinados receptores no cérebro ligados à memória.
7 – Diversão mantém a memória ativa. As atividades que exercitam a memória incluem jogos de cartas, xadrez, palavras cruzadas, tocar um instrumento musical, ler e manter uma vida social intensa.
Fonte: Revista Veja, 13 de janeiro de 2010.
Mitos e verdades: doutora Suzana Herculano – Houzel, da UFRJ; Bem-Vindo ao Seu Cérebro, de Sandra Aamodt e Sam Wang; Memória Brilhante, de Toni Buzan
Autoras: Bruna Habib Cavazza e Cínthia de Oliveira T. Serva, consultoras e acadêmicas em administração (UFLA).